Em
uma escola municipal de Cubatão, em São Paulo, um estudante de 11 anos
agrediu um colega com uma caneta durante uma briga. No Rio de Janeiro,
bandidos mataram um homem de 62 anos durante um assalto. O filho
adolescente da vítima assistiu a tudo. Com tanta violência, o
brasileiro está cada vez mais assustado, por isso, o
Mais Você
desta terça-feira, 25 de outubro, recebeu a psiquiatra Ana Beatriz
Barbosa para explicar quando o medo se torna Transtorno de Ansiedade.
“O estresse da violência só está fazendo as pessoas adoecerem”, afirmou
a especialista.
Segundo a psiquiatra, que escreveu o
livro Mentes Ansiosas, o medo é uma reação imediata após sofrer uma
ação específica. “O medo é uma proteção para você sobreviver desde o
homem primitivo até hoje”, explicou. Sobre violência, Ana Beatriz
comentou que é uma reação tão forte que a pessoa pode paralisar na hora
ou sair correndo. “Tem pessoas que perdem o controle de tanto pavor e
podem até urinar nas próprias calças. E é imprevisível quando somos
submetidos a uma situação de medo extremo", descreveu.
Mais Você fala sobre o 'cutting', um distúrbio que causa a automutilação
Duas
mil pessoas foram entrevistadas em 140 municípios em pesquisa que
revelou que 79% dos entrevistados já presenciaram algum crime nos
últimos 12 meses. Esta mesma análise mostrou que 80% das pessoas
mudaram seus hábitos por causa da violência: 63% passaram a evitar
andar com dinheiro, 75% aumentaram o cuidado para sair ou entrar em
casa, escola ou trabalho, 54% evitam sair à noite e 36% mudaram o
trajeto entre a casa e o trabalho ou escola. A pesquisa foi feita pelo
IBOPE a pedido da Confederação Nacional da Indústria.
Ana Maria Braga, que já foi vítima de assalto, relatou que após sofrer
esta violência não conseguia realizar as tarefas que fazia normalmente.
“Você se sente incapacitado”, contou. Ana Beatriz disse que esta
reação, até duas semanas após o acontecimento, é natural, porém,
passado o primeiro mês, a pessoa pode desenvolver o TEP (Transtorno de
Estresse Pós-traumático). “Ela começa a ter flashes da cena. Sonha com
isso e não consegue pensar em outra coisa”, apontou.
Ana Maria conversa com psiquiatra sobre jovens agressores
A Associação de Psiquiatria Americana classifica como Transtornos de Ansiedade:
• Ataques de pânico: podem evoluir para o transtorno do pânico (medo intenso que parece surgir do "nada").
• Fobia social ou timidez patológica: as pessoas percebem ameaças
potenciais em situações sociais e em exposição ao público (reuniões no
trabalho, palestras, encontros e convivências sociais).
• Medos diversos ou fobias simples: a ameaça está em coisas bem
específicas (animais, lugares fechados, chuvas, avião etc.).
• Transtorno de Estresse Pós-traumático (TEP): quando se vive
experiências traumáticas significativas (sequestros, perdas de entes
queridos, acidentes etc.).
• Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG): que se caracteriza por um
estado permanente de ansiedade, sem qualquer associação direta com
situações ou objetos específicos.
• Transtorno Obsessivo-compulsivo (TOC): a mente é invadida por
pensamentos de conteúdo ruim (obsessões), que desencadeiam rituais
repetitivos e exaustivos (compulsões). Tudo na tentativa de exorcizar
as ideias.
O Transtorno do Pânico afeta 3% da população mundial
O
Transtorno de Pânico afeta 1,5% a 3% da população mundial. No caso das
mulheres, os estudos revelam que elas apresentam duas a quatro vezes
mais chances de ocorrências que os homens. Ocorre sob a forma de crises
súbitas e inesperadas, que podem incluir os seguintes sintomas:
- sensação de desmaio;
- palpitações ou taquicardia;
- tremor ou abalos;
- sudorese (suor excessivo);
- sensação de sufocamento;
- náuseas ou desconforto abdominal (alteração intestinal);
- despersonalização ou distorções de percepção da realidade;
- anestesia ou formigamento;
- ondas de calor ou calafrios;
- dor ou desconforto no peito;
- sensação de morte iminente;
- medo intenso de enlouquecer ou cometer ato descontrolado.
Confira os destaques do Mais Você desta terça-feira, 25
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